Mãe de candidato do Enem discute com estudante de ocupação na UFF
Local de prova em Niterói (RJ) teve exame adiado por conta de movimento

Mãe de um candidato discute com os integrantes da ocupação estudantil na UFF.
NITERÓI - Diversos estudantes deram de cara na porta quando chegaram para fazer o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) no Instituto de Artes e Comunicação Social (Iacs) da Universidade Federal Fluminense (UFF) neste sábado. O local receberia 472 candidatos do concurso, mas foi ocupado por estudantes em protesto contra o governo nesta quinta-feira. Por conta disso, os participantes só poderão fazer a prova nos dias 3 e 4 de dezembro.
Em todo o país, são 405 escolas e universidades ocupadas, causando o adiamento do exame para mais de 271 mil candidatos. Quarenta dessas unidades foram ocupadas nos últimos dias, e muitas pessoas que fariam a prova nesses locais nem sabiam do impedimento.
Alguns pais de candidatos chegaram a discutir com representantes da ocupação na UFF. Os manifestantes ficaram diante do local para informar os candidatos que chegavam. A maioria dos alunos reclamava por não ter recebido nenhum aviso do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), órgão vinculado ao Ministério da Educação (MEC).
Nos portões de entrada do IACS, um aviso do Inep lamentava "pelo transtorno" e informava sobre o adiamento, dizendo ainda que os estudantes afetados seriam informados sobre a realização da prova nos dias 3 e 4 de dezembro. Érica Antunes, mãe do candidato Daniel Antunes, chegou a bater boca com os manifestantes.
- Não vejo sentido de estudante atrapalhar estudante. Eles têm de atrapalhar o governo - criticou.
Apesar de fazer o Enem como treineiro, somente para testar seus conhecimentos, Daniel, que não recebeu nada do Inep, também reclamou do adiamento:
- Fico frustrado. Acho que não deviam fazer ocupação, mas também não sou a favor da PEC 241.

Os pais de outra candidata também se revoltaram quando viram que a prova havia sido adiada no local, mas não quiseram dar entrevista. Quando saíam, a mãe advertiu a filha criticando a ocupação: "veja só isso para você ter noção como é antes de sair defendendo certas coisas".
Um participante saiu direto do trabalho para fazer o Exame, mas disse não se sentir revoltado com a situação. Daniel Vila Real, que quer uma vaga em Comunicação Social, criticou o descaso do Ministério da Educação.
- Se eu tivesse recebido algum aviso do MEC estaria mais seguro. Trabalhei de 19h às 7h, saí de lá, me arrumei e vim, me senti ignorado. É uma tristeza querer estudar na universidade pública e não ser nem avisado sobre adiamento da prova- disse o candidato, que não sabe se conseguirá se submeter ao exame nos dias 3 e 4 de dezembro por conta da escala de trabalho.
Já o candidato Daniel Almeida, de 18 anos, recebeu a mensagem de texto do Inep no celular, mas decidiu ir ao local para ter certeza.
- Desconfiei da mensagem e vim aqui esclarecer. Estava ansioso, queria que passasse logo esse momento. Mas pelo menos terei mais tempo de estudo - disse ele, que também não culpou os ocupantes pelo adiamento.
Estudante do pré-vestibular da UFF, Dandara Rosa, de 18 anos, diz conhecer os problemas da universidade e não protestou diante do adiamento.
- Fiquei nervosa pela falta de aviso do MEC. Sobre a ocupação, mesmo que os alunos não quisessem sair, aqui em Niterói há diversas escolas onde a prova poderia ser feita. Convivo na UFF e sei como são as condições, no prédio onde tenho aula o teto está caindo e tem rato. A maioria das pessoas que não são a favor da o ocupação é porque não passam por isso.
Membro da ocupação, Tali Sarai contou que ontem pela manhã os manifestantes conversaram com uma representante do MEC, mas não obtiveram resposta do que aconteceria.
- Falamos que sairíamos das salas para que o Enem fosse realizado. Ela disse que avisaria e não nos deu resposta. Hoje acordamos e os avisos estavam no portão avisando o adiamento. Estamos fazendo essa ocupação para que o estudante que passe no Enem consiga permanecer na universidade depois. Para que o Enem seja efetivo - argumentou.
A assessoria de imprensa do Inep informou que não houve tempo hábil para avisar todos os candidatos sobre o adiamento da prova. Sobre a negociação com os estudantes, o Inep informou que o prazo para fazê-la era até o dia 31 de outubro e que após essa data o adiamento das provas era inevitável.
(Fonte: Jornal "O Globo", de 06/11/2016).
Comentário de MARIANA:
Meus pais, que nasceram ainda durante o período da ditadura (acho que estão ficando velhos - rss...), sempre me dizem o quanto é importante viver numa democracia.
Mas o que este movimento de "ocupação das escolas públicas" está fazendo é justamente o contrário que a democracia prega, pois na minha humilde análise eles não estão dando a oportunidade dos alunos que gostariam e que precisam fazer a prova do ENEM fazerem, para que tenham a oportunidade de ingressar numa universidade pública.
Agora esses candidatos impedidos terão que fazer uma outra prova, que poderá se mais difícil do que a realizada no dia 06 de novembro, colocando eles em desigualdade com os que realizaram a prova nesta data.
Além disso, tem a situação psicológica e emocional desses 271 mil candidatos impedidos em todo o Brasil, em razão das 405 escolas ocupadas, que com certeza poderá prejudicar o rendimento deles.
Nossos professores: Marcelo de Geografia e Vinícius de História, nos ensinaram sobre movimentos de resistência pacífica e desobediência civil durante a independência da Índia, liderada por Mahatma Gandhi, porém nada foi dito sobre movimentos como este que impedem o direito de outros na mesma condição, ou seja, estudantes prejudicando outros estudantes, sem dar a eles a oportunidade de também se manifestarem.
E vocês companheiros da Turma 901, quase ensino médio e quase candidato do ENEM (rss...), o que acham desse movimento de ocupação das escolas públicas??? É um movimento justo e democrático??? Acham que tem participação de partidos políticos por trás desse movimento???
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