Te contei que visitei a exposição "ComCiência"???
No mês de junho, juntamente com minha família, tive a oportunidade de visitar no Centro Cultural Banco do Brasil (Centro/RJ), a exposição "ComCiência", de Patricia Piccinini, que conecta a forma de pensar e sentir a Ciência com a Consciência. As obras de Piccinini têm algo a ver com perceber e pensar sobre o que a ciência faz e /ou pode fazer.
Na exposição, Patricia Piccinini, desenha criaturas que poderiam ser resultados de experiências genéticas, engraçadas, estranhas, poéticas e monstruosas, mas com uma enorme humanidade e bondade no olhar. A artista propõe uma experiência de aproximação e afeto. Suas esculturas criam um cenário de perguntas, onde cabe a cada espectador encontrar sua resposta.
Nesta obra, "A confortadora", a artista faz uma reflexão: Se você encontrasse esse filhote, teria vontade de acariciá-lo???". Repare na variedade de texturas e estampas. A pele da menina é demasiadamente peluda. O filhote no colo da criança tem os pés gorduchos e arredondados como dos recém-nascidos, porém não possui olhos e sua cabeça assemelha-se a uma mão. O rosto tem apenas uma boca de lábios carnudos.
Nesta escultura, "O visitante bem-vindo", a artista mescla objetos reais (cama, travesseiro e roupa) com uma criatura fantástica que possui garras e brinca com uma menina. Eles estão sorrindo um para o outro. Um pavão, animal associado a vaidade mas que também simboliza a beleza e o poder, observa a cena. Qual o simbolismo desta ave aqui???
Já ficou com medo na hora de dormir e quis deitar com sua mãe??? As crianças apresentadas nas obras de Patricia foram inspiradas em meninas e meninos reais. A artista conhece todas elas. São seus filhos e filhos de amigos dela. A criatura que abraça a criança tem bolsas nas costas com filhotes dentro, como os cangurus. Os filhotes demonstram que estamos diante de uma mãe. Então vem a dúvida: será que o menino também faz parte dessa família???
A criatura acima, da escultura "Grande mãe", tem características humanas e de um macaco. O bebê no colo está sendo amamentado, nos fazendo lembrar de filmes e livros, tais como : Mogli, O menino lobo e Tarzan, o rei da selva. No chão, estão malinhas azuis. O que devem estar guardados nela??? A quem será que elas pertencem??? Malas e bolsas carregam objetos de uso pessoal. No entanto a figura feminina adulta está completamente despida.
Piccinini também cria híbridos que misturam máquinas com seres vivos. as máquinas são construções do homem, feitas para atender a alguma necessidade humana. Elas não tem emoções, mas essas lambretas talvez sejam diferentes. O nome desse trabalho é "Os amantes". O que você acha???
O título desta obra é "O tão esperado". O que vocês acham que os dois aguardam??? A senhora deitada no colo do menino tem cabelos brancos e pele enrugada como a de uma idosa. Ela possui as formas de um "duodongo" (mamífero da família do peixe-boi), seu corpo é robusto, maciço e , no lugar dos pés, há um rabo de sereia. A princípio, podemos ficar assustado, curioso e intrigado, num segundo momento, o que percebemos é que o diferente pode estar mais próximo do que pensamos.
Uma pilha de cadeiras de dois metros de altura com uma criança no alto (embaixo é meu irmão Bruninho - rss...). Será que ele vai cair em cima do Bruninho ??? Vocês diriam: "cuidado"??? A expressão ingênua daquele rosto ignora o perigo. Do alto ela se distancia das pessoas. Por que será que subiu até lá??? As cadeiras sustentam a criança, tal como a nossa coluna vertebral. É isso que retrata esta obra: "O observador".
Nesta obra, "de bruços", a artista retrata o realismo fantástico, termo que surgiu na literatura, usado quando coisas irreais e estranhas acontecem, mas são tratados como fatos corriqueiros do dia a dia. Piccinini inova, trazendo esse estranhamento: são seres tão reais, mas não são catalogados.
A artista Patricia Piccinini nasceu em 1965, em Serra Leoa, na África. Com sete anos mudou-se para a Austrália com a sua família, onde estudou pintura e ficou conhecida por suas esculturas. Ela segue a linha dos escultores hiper-realistas como o australiano Ron Mueck, o qual também visitei sua exposição no MAM e contei para vocês aqui no meu blog. Já o interesse de Piccinini pela ciência surgiu quando sua mãe sofreu de câncer.
Espero que vocês, professores e colegas da Turma 901, possam como eu, ter mergulhado e viajado nesta exposição "ComCiência", que busca refletir e rever atitudes em relação à arte e à realidade. Exposição "ComCiência", no Centro Cultural Banco do Brasil: EU FUI!!! (Aliás: Eu e Minha Família FOMOS!!!).










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