domingo, 10 de abril de 2016

CIÊNCIAS

Soro antiveneno de abelha começa a ser testado em humanos este mês

Feito pela Unesp em parceria com o Vital Brazil, produto é o primeiro do tipo no mundo


  Cerca de 15 mil pessoas são picadas por abelhas no Brasil todos os anos

  RIO — Pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Botucatu conseguiram autorização do Ministério da Saúde e da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para iniciar testes em humanos do que promete ser o primeiro soro antiveneno de abelhas do mundo. Nesta sexta-feira, dia 8, as equipes que irão ministrar o soro receberam treinamento para participar desta nova fase da pesquisa. Os testes serão feitos a partir da próxima semana, nas cidades de Botucatu (SP), Tubarão (SC) e Uberaba (MG). Quem for picado perto dessas regiões será levado para um dos centros de pesquisa e, em casos indicados, receberá o soro.

  O avanço é resultado de cerca de 15 anos de pesquisa liderada pelo veterinário Rui Seabra Ferreira Jr., coordenador do Centro de Estudos e Animais Peçonhentos (Cevap) da Unesp. O soro antiapílico — derivado de Apis mellifera, nome científico das abelhas — é produzido em parceria com o Instituto Vital Brazil, em Niterói.

  — Nesta fase de testes em humanos, vamos avaliar a segurança do produto, isto é, se ele não piora o estado dos pacientes. Devemos terminar essa etapa até o final do ano. Depois, vamos avaliar a eficácia: se o medicamento faz aquilo que ele promete, e, neste caso, levaremos o soro a um número maior de cidades, para obtermos um número maior de pacientes, que podem chegar a 400. Só depois disso o soro poderá ser registrado pela Anvisa — explica Ferreira Jr.

   UMA PICADA PODE MATAR ALÉRGICOS

  Segundo o Ministério da Saúde, cerca de 15 mil casos de picadas de abelhas são registradas por ano no Brasil, e mais de 40 mortes. Quando um adulto sofre mais de 200 picadas, ele recebe uma quantidade de veneno no corpo que é suficiente para causar lesões no coração, no fígado e nos rins. Mas mesmo uma quantidade menor de picadas já pode ser perigosa.

  — No caso de pessoas alérgicas, uma picada pode ser suficiente para levar à morte. Se a pessoa não tiver alergia mas tiver 45 kg, por exemplo, cerca de 50 picadas já podem trazer complicações. Depende muito de cada caso — conta o professor.

  Ampolas do soro serão administradas nas cidades de Botucatu (SP), Tubarão (SC) e Uberaba (MG)

  Em geral, o indicado nos testes é que quem sofrer até cinco picadas — e não for alérgico — não precisa de soro. Quem tiver entre cinco e 200 picadas, receberá duas ampolas do soro; e entre 201 e 600, seis ampolas. Já quem for picado mais de 600 vezes será tratado com dez ampolas da substância.

  O pesquisador da Unesp se mostra confiante de que o soro apresentará bons resultados e de que, depois de registrado pela Anvisa, possa ajudar também populações de outros países.

  — O continente americano como um todo sofre com o problema das abelhas, inclusive das africanizadas. As únicas exceções são o Canadá, onde as abelhas não chegaram por conta do frio, e o Chile, que elas não conseguiram alcançar por causa da barreira feita pela Cordilheira dos Andes. Depois de aprovado, com certeza nós poderemos exportar o soro para os demais países — acredita ele.

  TESTES CONTINUAM MESMO APÓS APROVAÇÃO

  Hoje, o tratamento para picada de abelhas é feito com antialérgicos e anti-inflamatórios, sem qualquer remédio específico.

  De acordo com o veterinário, mesmo depois que o soro estiver disponível no mercado, os testes continuarão. O objetivo será verificar a eficácia dele na população em geral, para checar se algumas pessoas reagem de forma diferente.

  
  — Quando o produto está no mercado, uma população não controlada tem acesso a ele. Pessoas de todas as idades e etnias. Sabemos, por exemplo, que alguns medicamentos não funcionam muito bem em orientais ou em pessoas que têm determinada doença. Este tipo de aspecto só poderá ser verificado com o produto no mercado, e, assim, poderemos ter melhores conclusões de quais pessoas e em que situações podem tirar mais benefício do soro — afirma Ferreira Jr.

(Fonte: Jornal "O Globo", de 10/04/16).


  Comentário de MARIANA:

   Fiquei duplamente feliz quando li esta reportagem. 
  Primeiro porque eu morro de medo de abelhas. Nunca fui picada, mas só de ouvir aquele zumbido da abelha já sinto doer (rss...). 

  Aliás tenho pavor de muitos insetos e bichos, sejam eles: abelha, marimbondo, besouro, aranha, escorpião, etc... 

  Segundo porque esta descoberta foi feita por cientistas brasileiros, demonstrando o quanto nós brasileiros somos capazes, em qualquer que seja a atividade. Talvez por isso nossa escola se chame CFV - Construindo Futuros Vencedores (rss...).

  Que este soro esteja o mais rápido possível a disposição da população, e principalmente a preços baixos nas farmácias ou quem sabe sem custos nos hospitais públicos.

  E você professor e companheiro da turma 901, tem medo de algum inseto??? Qual??? Acha que nós brasileiros somos realmente capazes em muitas atividades profissionais, culturais e esportivas???