sexta-feira, 24 de outubro de 2014

EDUCAÇÃO

Em vídeo, Sartori recomenda que professores busquem piso em loja de material de construção

Declaração gerou nota de repúdio de profissionais e tornou-se viral na internet


PORTO ALEGRE – Uma declaração em tom jocoso do candidato do PMDB ao governo do Rio Grande do Sul, José Ivo Sartori, transmitida ao vivo em entrevista ao portal Terra na segunda-feira, provocou troca de acusações e um pedido formal de desculpas do peemedebista aos professores estaduais. Em um trecho da entrevista, Sartori ironiza a reivindicação do magistério pelo pagamento do piso nacional da categoria, promessa de campanha não cumprida pelo governador Tarso Genro (PT), e recomenda aos professores que procurem uma conhecida loja de material de construção de Porto Alegre para obter “um piso”.
Eu fui lá no Cpers (Sindicato dos Professores do Estado) e não assinei o documento exigindo um compromisso de pagar ou resgatar o salário, vamos dizer...como é que diz mesmo? O piso! O piso eu vou lá no Tumelero (loja de material de construção) e eles te dão um piso melhor, né? (risos). Ali tem piso bom, né? – disse Sartori na conversa com os jornalistas.
  A entrevista foi transmitida ao vivo pelo portal entre 12h30 e 14h e o trecho sobre o piso dos professores logo se transformou num viral na internet. Sartori começa a falar no assunto quando faz uma critica ao governador Tarso Genro, candidato à reeleição, sobre promessas não cumpridas de campanha, entre elas o pagamento do benefício. Segundo o candidato, o passivo com o não pagamento do piso chegará a R$ 10 bilhões no final do ano.
  Na sabatina, Sartori também comenta os prognósticos das pesquisas eleitorais, diz que não há meios de conservar ou construir estradas sem concessões a empresas privadas e defende a valorização das economias tradicionais do Estado, especialmente a agricultura.
  Em reunião com o Cpers no dia 11 de setembro, Sartori se recusou a assinar um documento comprometendo-se a pagar o piso e admitiu que pode propor alterações no plano de carreira da categoria como forma de viabilizar o benefício. O documento do Cpers tem 11 pontos em defesa da valorização da categoria, entre os quais o pagamento do piso e a manutenção do plano de carreira.
  Tarso, que seu reuniu com o sindicato no dia 25 de setembro, também não assinou o documento, mas apresentou uma carta de compromissos alternativa para a hipótese de vencer a eleição. Ana Amélia (PP) e Vieira da Cunha (PDT), candidatos derrotados no primeiro turno, haviam se comprometido com o documento do Cpers.
  A reação dos professores à declaração de Sartori foi imediata: em nota classificada como de “repúdio”, o Cpers manifestou “estranheza e preocupação com o modo pelo qual o candidato tratou o tema do piso salarial dos educadores” e sustentou que a categoria seguirá mobilizada pelo cumprimento da lei, seja qual for o próximo governador.
  “Acreditamos que esse tema não deve ser objeto de chacota ou brincadeiras por conta de quem tem responsabilidade de propor alternativas para qualificar a educação e valorizar o trabalho dos professores e dos trabalhadores em educação”, afirma a nota. Em outro trecho, os professores dizem que não admitem ser tratados “com falta de educação e respeito”.
  A coordenação de campanha de Sartori justificou que o trecho de 26 segundos em que há referência ao piso do magistério foi tirado de contexto. Em nota distribuída na noite de segunda-feira, a coligação afirma que o candidato também é professor.
  "Sartori pede desculpas por qualquer mal-estar causado, reforçando o respeito que tem pelos professores e lembrando que quem não respeita o magistério é o candidato tarso, do PT, que assinou a lei e não cumpre ao não pagar o piso dos professores”, afirma a nota.
  O episódio também foi tratado na propaganda de rádio de Sartori nesta manhã, em que um locutor acusa a “tropa de choque do PT” de tentar “manchar a reputação” do candidato. “Vídeos fora de contexto, programas de humor editados, mentiras e boatos, a baixaria de sempre”, afirma o texto de abertura da propaganda. Sartori, no seu depoimento ao programa de rádio, também acusa o PT de “copiar” suas propostas.
  O PT evitou comentar as acusações do candidato e disse, por meio do coordenador de campanha de Tarso, Carlos Pestana, que a declaração de Sartori sobre o piso do magistério “foi infeliz”. Segundo Pestana, quem tem de dar explicações sobre o episódio é o candidato do PMDB.

(Fonte: Jornal "O Globo", de 21/10/2014).

    Comentário de MARIANA:
  Fico muito triste quando leio uma notícia como esta, onde os nossos políticos, candidatos a governadores, tratam a educação e nossos queridos professores como piada , e de muito mau gosto por sinal. É por opiniões como esta que muitos brasileiros, que são obrigados a comparecer para votar, preferem votar em branco ou nulo, por não acreditarem em mais ninguém. Ainda bem que este candidato não é do nosso estado, e sim do Rio Grande do Sul. Espero que o governador eleito no Rio de Janeiro não pense o mesmo dos nossos queridos professores, e tratem a educação com mais seriedade. Vamos votar certo alunos e professores do CFV / CEL!!!