Em
vídeo, Sartori recomenda que professores busquem piso em loja de
material de construção
Declaração gerou nota de repúdio de profissionais e tornou-se viral na internet
PORTO
ALEGRE – Uma
declaração em tom jocoso do candidato do PMDB ao governo do Rio
Grande do Sul, José Ivo Sartori,
transmitida ao vivo em entrevista ao portal Terra na segunda-feira,
provocou troca de acusações e um pedido formal de desculpas do
peemedebista aos professores estaduais. Em um trecho da entrevista,
Sartori ironiza a reivindicação do magistério pelo pagamento do
piso nacional da categoria, promessa de campanha não cumprida pelo
governador Tarso Genro (PT), e recomenda aos professores que procurem
uma conhecida loja de material de construção de Porto Alegre para
obter “um piso”.
— Eu
fui lá no Cpers (Sindicato dos Professores do Estado) e não assinei
o documento exigindo um compromisso de pagar ou resgatar o salário,
vamos dizer...como é que diz mesmo? O piso! O piso eu vou lá no
Tumelero (loja de material de construção) e eles te dão um piso
melhor, né? (risos). Ali tem piso bom, né? – disse Sartori na
conversa com os jornalistas.
A
entrevista foi transmitida ao vivo pelo portal entre 12h30 e 14h e o
trecho sobre o piso dos professores logo se transformou num viral na
internet. Sartori começa a falar no assunto quando faz uma critica
ao governador Tarso Genro, candidato à reeleição, sobre promessas
não cumpridas de campanha, entre elas o pagamento do benefício.
Segundo o candidato, o passivo com o não pagamento do piso chegará
a R$ 10 bilhões no final do ano.
Na
sabatina, Sartori também comenta os prognósticos das pesquisas
eleitorais, diz que não há meios de conservar ou construir estradas
sem concessões a empresas privadas e defende a valorização das
economias tradicionais do Estado, especialmente a agricultura.
Em
reunião com o Cpers no dia 11 de setembro, Sartori se recusou a
assinar um documento comprometendo-se a pagar o piso e admitiu que
pode propor alterações no plano de carreira da categoria como forma
de viabilizar o benefício. O documento do Cpers tem 11 pontos em
defesa da valorização da categoria, entre os quais o pagamento do
piso e a manutenção do plano de carreira.
Tarso,
que seu reuniu com o sindicato no dia 25 de setembro, também não
assinou o documento, mas apresentou uma carta de compromissos
alternativa para a hipótese de vencer a eleição. Ana Amélia (PP)
e Vieira da Cunha (PDT), candidatos derrotados no primeiro turno,
haviam se comprometido com o documento do Cpers.
A
reação dos professores à declaração de Sartori foi imediata: em
nota classificada como de “repúdio”, o Cpers manifestou
“estranheza e preocupação com o modo pelo qual o candidato tratou
o tema do piso salarial dos educadores” e sustentou que a categoria
seguirá mobilizada pelo cumprimento da lei, seja qual for o próximo
governador.
“Acreditamos
que esse tema não deve ser objeto de chacota ou brincadeiras por
conta de quem tem responsabilidade de propor alternativas para
qualificar a educação e valorizar o trabalho dos professores e dos
trabalhadores em educação”, afirma a nota. Em outro trecho, os
professores dizem que não admitem ser tratados “com falta de
educação e respeito”.
A
coordenação de campanha de Sartori justificou que o trecho de 26
segundos em que há referência ao piso do magistério foi tirado de
contexto. Em nota distribuída na noite de segunda-feira, a coligação
afirma que o candidato também é professor.
"Sartori
pede desculpas por qualquer mal-estar causado, reforçando o respeito
que tem pelos professores e lembrando que quem não respeita o
magistério é o candidato tarso, do PT, que assinou a lei e não
cumpre ao não pagar o piso dos professores”, afirma a nota.
O
episódio também foi tratado na propaganda de rádio de Sartori
nesta manhã, em que um locutor acusa a “tropa de choque do PT”
de tentar “manchar a reputação” do candidato. “Vídeos fora
de contexto, programas de humor editados, mentiras e boatos, a
baixaria de sempre”, afirma o texto de abertura da propaganda.
Sartori, no seu depoimento ao programa de rádio, também acusa o PT
de “copiar” suas propostas.
O
PT evitou comentar as acusações do candidato e disse, por meio do
coordenador de campanha de Tarso, Carlos Pestana, que a declaração
de Sartori sobre o piso do magistério “foi infeliz”. Segundo
Pestana, quem tem de dar explicações sobre o episódio é o
candidato do PMDB.
(Fonte:
Jornal "O Globo", de 21/10/2014).
Comentário
de MARIANA:
Fico
muito triste quando leio uma notícia como esta, onde os nossos
políticos, candidatos a governadores, tratam a educação e nossos
queridos professores como piada , e de muito mau gosto por
sinal. É por opiniões como esta que muitos brasileiros, que são
obrigados a comparecer para votar, preferem votar em branco ou nulo,
por não acreditarem em mais ninguém. Ainda bem que este candidato
não é do nosso estado, e sim do Rio Grande do Sul. Espero que o
governador eleito no Rio de Janeiro não pense o mesmo dos nossos
queridos professores, e tratem a educação com mais seriedade. Vamos
votar certo alunos e professores do CFV / CEL!!!