Biólogo evolucionista recomendou ainda que pais "tentassem novamente" após o ato e depois pediu desculpas "pelo frenesi"
As declarações foram feitas durante um debate promovido pelo próprio Dawkins na rede social, onde ele coleciona mais de um milhão de seguidores. O biólogo postou um link para um artigo na revista liberal americana New Republic intitulado "A Igreja Católica prefere barbárie medieval ao aborto moderno". Ao publicar, Dawkins ainda comentou: “a Irlanda é um país civilizado, exceto em uma área. Você ainda acha que a Igreja Católica tinha perdido toda a influência”.
Foi o suficiente para o biólogo reacender o debate em torno do aborto, recebendo uma saraivada de críticas de internautas. Em uma das respostas, o católico irlandês Aidan McCourt perguntou-lhe: “994 seres humanos com síndrome de Down deliberadamente mortos antes do nascimento na Inglaterra e no País de Gales em 2012. Isso que é civilizado?”.
Dawkins respondeu: "Sim, é muito civilizado. Esses são os fetos, diagnosticados antes que eles tenham sentimentos humanos”. Mais tarde, ele acrescentou: "Aprenda a pensar em formas não-essencialistas. A questão não é 'é humano', mas 'ele pode sofrer? '".
O debate se estendeu por toda a quarta-feira. Momentos depois da primeira declaração de Dawkins, outra internauta comentou afirmando que não saberia o que fazer se fosse informada que estaria grávida de uma criança com síndrome de Down, tachando a questão de um “dilema ético real”.
Novamente, o biólogo retrucou em tom frio e seco: "Abortar e tente novamente. Seria imoral para trazê-lo para o mundo, se você tem a escolha".
PEDIDO DE DESCULPAS
No site da sua fundação, o biólogo se posicionou ao pedir desculpas pelo "frenesi" criado no feed da sua conta do Twitter. Após dar uma explicação sobre a síndrome, Dawkins afirma que geralmente os pais que cuidam de filhos com síndrome de Down formam fortes laços de afeto com eles, como fariam com qualquer criança, provavalmente tendo sido o que causou alguns dos tweets de ódio que recebeu.
Adiante no texto, ele afirma que quando a síndrome é detectada, "a maioria dos casais optam por aborto e a maioria dos médicos recomenda isso".
Em seguida, desenvolve o que teria dito para a mulher se tivesse mais do que 140 caracteres:
"Obviamente, a escolha seria sua. A quem interessar possa, minha escolha seria de abortar o feto com síndrome de Down e, assumindo que você quer ter um bebê, tentaria de novo. Tendo a chance de fazer um aborto cedo ou deliberadamente trazer a criança com Down no mundo, eu acho que a escolha moral e sensata seria abortar. E, de fato, isso é o que a grande maioria das mulheres, nos Estados Unidos e especialmente na Europa, fazem. Eu pessoalmente iria além e diria que, se sua moral é baseada, como a minha é, no desejo de aumentar a soma de felicidade e reduzir o sofrimento, a decisão de deliberadamente dar à luz o bebê com Down, quando você tem a chance de abortar no começo da gravidez, pode realmente ser imoral do ponto de vista do próprio bem estar da criança. Concordo que essa opinião pessoal é controversa e precisa ser mais discutida, possivelmente para ser afastada. Em todo caso, você provavelmente estaria condenando a si mesmo como mãe (ou como um casal) a uma vida de cuidar de um adulto com necessidades de criança. Seu filho vai provavelmente ter uma expectativa de vida curta, mas, se ele viver mais que você, você provavelmente vai ter que se preocupar com quem irá cuidar dele depois que você se for. Não me admira que a maioria das pessoas escolha aborto quando têm essa opção. Dito isso, a escolha seria inteiramente sua e eu nunca sonharia em tentar impor minha visão em você ou em qualquer outra pessoa."
(Fonte: Jornal "O Globo", de 21 de agosto de 2014).
Comentário de MARIANA:
Fiquei muito triste em ler uma reportagem como essa, principalmente por que a declaração foi feita por uma pessoa que deve ter estudado muito, pois em caso contrário não seria um biólogo tão importante e tão conhecido no mundo inteiro. Mas apesar de todo o estudo parece não ter aprendido o mais importante, que é valor verdadeiro de uma vida, principalmente a vida de um filho, de uma criança...
Meus pais são padrinhos de uma criança com "síndrome de down", o Gabriel, de nove anos de idade, que eu o considero meu primo, e que os pais dele e nós aqui em casa o amamos muito.
Tenho certeza que o Tio Marcel e a Tia Mary não se arrependeram nem um pouquinho de ter recebido essa benção de Deus na vida deles que foi o Gabriel. Mas, como este biólogo é ateu declarado, como ele vai entender o que é uma benção de Deus na vida??? Que Deus lá em cima, o perdoe por este pensamento!!!