sábado, 26 de outubro de 2013

CULTURA

Bailarinas descalças do Morro do Adeus dançam no Teatro Municipal

Tuany e suas alunas do Morro do Adeus dançaram a “Valsa das Flores”, do clássico “Quebra-Nozes”
Era uma vez um grupo de pequenas bailarinas que dançavam descalças. O maior sonho delas é ter sapatilhas... Mas a realidade foi além. Nesta sexta-feira, as meninas do Morro do Adeus subiram a longa escadaria do Teatro Municipal e, como num conto de fadas, dançaram no maior templo do balé clássico do país, ainda sem sapatilhas.
Bem cedinho, quando deixaram o Adeus para conhecer o teatro, as 26 alunas e a professora Tuany Nascimento, de 19 anos, não imaginavam o que estava por vir. Ansiosas, muitas das 50 meninas, que o EXTRA revelou no domingo, confessaram não ter dormido.
- Não é todo dia que se realiza um sonho. Levantei às 4h - disse Andressa Santana, de 14 anos.
A chegada ao Municipal foi marcada por deslumbramento. A pequena Jéssica da Silva, de 6 anos, observava cada detalhe, comparando o teatro a um grande palácio.
- Meu pai falou que em cima da laje tem um passarinho, quero ver - disse, em referência à águia dourada da cúpula principal.
Após passarem pelas principais salas do Municipal, como num passe de mágica, a visita guiada teve o curso alterado... para o palco. Ainda sem se darem conta do que acontecia, elas foram aos poucos ocupando o tablado. Não demorou, e as cortinas vermelhas se abriram, as luzes se acenderam. Estava pronto o cenário para a “Valsa das Flores” do clássico balé “Quebra-Nozes”.
Sandálias, tênis e chinelos foram deixados numa lateral do palco. Os pezinhos descalços pontilharam o chão. Por alguns minutos, a coreografia ensaiada na precária sede da associação de moradores ganhou contornos de grande espetáculo. Ninguém conseguiu segurar as lágrimas.
- Esse momento vai marcar cada uma delas para sempre - emocionou-se Tuany.
Anny Ester Oliveira, de 10 anos, sabe que sim:
- Vou lembrar desse dia a vida toda. Até ficar velhinha. Meu sonho se realizou
Extasiada, a pequena plateia, formada por visitantes do Teatro Municipal, jornalistas e policiais da UPP do Adeus, não conteve a emoção após a apresentação das bailarinas descalças. Lágrimas e sorrisos também apareceram nos rostinhos das meninas, que abraçaram a professora.
Tuany e as alunas tomaram o palco e comoveram uma pequena plateia de turistas
- Nunca imaginei na vida dançar aqui. Tinha vindo no Municipal só uma vez para assistir. A força de todas as grandes bailarinas que já pisaram nesse palco tomou conta da gente. Agora, sei que todo o esforço e toda dificuldade que passamos valeu a pena - disse Tuany.
A soldado Juliana de Souza, da Coordenadoria de Polícia Pacificadora, relembrou o primeiro dia em que esteve com as bailarinas descalças:
- Eu disse a elas que um dia dançariam no Municipal. Mas quando elas pisaram naquele palco, não aguentei a emoção.
O passeio das meninas quebrou o protocolo. Visitas guiadas não passam pelo palco.
- A história é bonita, nos comoveu - disse Maria Regina Sales, assessora da Presidência do Municipal.
Ao deixar o teatro para voltar ao Adeus, Rosilaine dos Santos, de 14 anos, despediu-se:
- Tchau Municipal. Um dia eu volto como bailarina para dançar de novo

(Fonte: Jornal "O Extra", de 26/10/2013).

  Comentário de MARIANA:
  Eu que sou bailarina desde os 4 anos  e amo dançar, fico muito contente com uma reportagem desta, pois graças a Deus meus pais sempre puderam pagar meus cursos de balé e comprar minhas roupas de dança (inclusive a sapatilha de ponta que é muito cara mesmo). Mas estas crianças que também parecem amar a dança não tiveram a mesma benção, e necessitam de apoio como este dado pela professora Tuany, pela UPP  e pelo Teatro Municipal. 
  Estou de pé aplaudindo todas estas lindas meninas, torcendo para  que o balé e Deus deem caminhos de felicidade a todas.
 

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